Motor S/A | Carro elétrico popular: um sonho cada vez mais próximo
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Carro elétrico popular: um sonho cada vez mais próximo

Publicado em 06 de março de 2008 por Eduardo Hoffmann

Quem acompanha este blog, sabe que notícias sobre combustíveis alternativos, sempre ganharam destaque. Sejam os híbridos, elétricos, bi-combustíveis, GNV, à hidrogênio ou os promissores carros à ar comprimido. O grande problema sempre esteve na quebra dos paradigmas, principalmente daqueles que nos remetem à praticidade e conveniência. Para entender melhor, selecionei esta matéria do Jornalista Rafael Corrêa, publicada na revista Veja, a seguir.

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Num mundo cada vez mais preocupado com o aquecimento global e o preço do petróleo, há muito se anunciam os carros elétricos como a melhor opção para substituir a frota movida a combustíveis fósseis. Por enquanto, porém, há poucos deles rodando no mundo, em caráter experimental. O israelense Shai Agassi, cuja carreira de empreendedor está ligada à alta tecnologia do Vale do Silício, acha que pode mudar essa situação. Ele parte do princípio de que o grande empecilho à popularização dos carros elétricos é a falta de uma infra-estrutura que permita recarregar baterias com a mesma facilidade com que se enche um tanque de gasolina. Amparado nessa premissa, Agassi elaborou um projeto ambicioso para disseminar o uso de veículos elétricos e correu o mundo em busca de parceiros para colocá-lo em prática.

Depois de muitas reuniões com empresários e autoridades, conseguiu o apoio do governo de Israel e do conglomerado automotivo Renault-Nissan. Por fim, obteve um financiamento de 200 milhões de dólares de um grupo de investidores liderados pelo magnata israelense Idan Ofer, que fez fortuna nas áreas de transporte e refino de petróleo. Estava fechado o círculo virtuoso que agora permite a Agassi tocar seu projeto de desafiar a estrutura global montada em torno dos veículos a gasolina. Se seu plano vingar, em três anos haverá 100.000 veículos movidos a baterias rodando nas ruas e estradas israelenses. “Estamos em conversações com outros governos para desenvolver projetos semelhantes”, informou Agassi a Veja. “Não podemos deixar para as futuras gerações um mundo dependente do petróleo”, disse.

O projeto começa por driblar um dos maiores obstáculos dos carros elétricos atuais: a falta de autonomia. A maior parte dos modelos existentes não consegue rodar mais de 100 quilômetros sem ter de parar para recarregar. O plano de Agassi prevê a instalação de uma ampla rede de 500.000 pontos de recarga e 200 postos de troca de baterias nas ruas e estradas de Israel. Assim, os motoristas não correm o risco de ficar pelo caminho porque a energia das baterias acabou. A implementação dessa rede de distribuição de eletricidade ficará a cargo da empresa criada por Agassi especialmente para isso, a Better Place (em inglês, lugar melhor), uma referência à meta de criar um mundo mais verde. O presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, compromete-se a produzir um modelo capaz de rodar 160 quilômetros sem precisar de recarga. É uma autonomia ideal para Israel, um país pequeno onde as principais cidades ficam a menos de 150 quilômetros de distância entre si. Graças a incentivos fiscais do governo israelense, o carro verde da Renault-Nissan custará bem mais barato do que os modelos a gasolina hoje vendidos no país. O imposto para carros elétricos será de 10%, enquanto um automóvel convencional é taxado em 79%. Para recarregar o veículo, o dono do carro assina com a Better Place um contrato de prestação de serviços semelhante ao das operadoras de telefonia celular. Ele paga uma taxa mensal à empresa e, em troca, tem direito a cargas elétricas suficientes para rodar uma determinada quantidade de quilômetros por mês. Se precisar rodar mais, paga pelo excedente. O projeto de Agassi cai como uma luva para Israel porque permite diminuir sua dependência do petróleo. Como se sabe, o país mantém relações nada amistosas com as nações muçulmanas, maiores produtoras de petróleo.

Por enquanto, a Renault-Nissan apresentou somente um protótipo de carro elétrico, que andou pelas ruas de Jerusalém há um mês. O desenvolvimento de um veículo movido a baterias, com autonomia de 160 quilômetros e que ofereça um desempenho semelhante ao dos modelos convencionais é um dos grandes empecilhos à concretização do projeto de Agassi. A Renault-Nissan ainda está atrás dos outros fabricantes no desenvolvimento de veículos verdes e precisa entregar os primeiros modelos para testes no fim deste ano. A tecnologia necessária para desenvolver baterias é um capítulo à parte. A indústria automobilística investe em diferentes frentes de pesquisa, mas ainda não sabe como produzir baterias com grande capacidade de armazenamento e preço baixo. De qualquer maneira, Agassi, que começou a elaborar seu sonho do carro elétrico quando participou do encontro de jovens líderes no fórum de Davos, em 2006, tem muitos motivos para se animar. Idan Ofer, o maior investidor do projeto, acredita que ele está no caminho certo e vê potencial para a criação de iniciativas semelhantes em mercados emergentes, como a China. Com seu plano de popularizar o carro elétrico, Agassi pode se tornar o Henry Ford do século XXI.

Fonte: Revista Veja

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4 Comments For This Post

  1. Krat'n Heillter Says:

    Não adianta nada o carro ser elétrico se essa eletricidade vem de fontes poluentes ou de outra forma muito danosa ao meio-ambiente. Isso é demagogia, vâo gerar energia para carregar as bateria a partir de qual fonte; Carvão, urânio, hidroelétrica, óleo Diesel… Mais um êngodo. Prestem atenção.

  2. eHoffmann Says:

    Se a energia for gerada a partir de usinas hidrelétricas, que não queima combustíveis fósseis, a proposta é válida.

  3. Leandro Says:

    Usinas hidreletricas apesar de emitir metano, que aquece o planeta 20x mais que o carbono, ainda são uma alternativa viavel, pois futuramente os carros eletricos serão muito mais eficientes que os atuais, e existem muitas outras fontes alternativas de energia

  4. Gilberto Says:

    Pessoas que criticam este projeto só podem estar com medo de perder seus carros a gosolina e perder dinheiro ao ver que seu carro está por fora. Tanto faz o metodo de alimentar o carro por energia, o que importa é que eu vou esperar esses carros entrar em linha pra comprar um….

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